Caro amigo
Quanto tempo não nos vemos, as coisas por aqui está bem diferente do que a última vez em que nos falamos.
O tempo passou e houve muitas mudanças em minha vida, mas não foram do mesmo tanto quanto as decepções que a vida me trouxe.
Sinto falta daquela casa, na rua onde nós crescemos, das nossas brincadeiras na rua ao lado. Lembro como se fosse hoje, brincavámos de queimada, pique-bandeira, me submetia a brincadeiras de menino como soltar pipa e jogar futebol.
A nossa infância juntos foi muito intensa e aproveitamos cada segundo dela.
Tivemos brigas, ficamos de mau por algumas horas, mas logo depois já estava vc me chamando em meu portão.
Alguns dias atráz pensei o quanto é difícil crescer, gostaria de ser a menininha de sempre. As vezes ainda penso em mim, como aquela garota que vivia com os pés descalços na rua.
As coisas aqui pra mim não está nada fácil, como sempre fui precipitada em tomar algumas decisões em minha vida, e hoje estou sofrendo por causa delas.
Acho que lhe contei a um tempo atráz que havia conhecido um carinha, até que bunitinho, engraçado que tinha as mesmas idéias e opiniões que eu.
É acho que erámos parecidos até de mais, todo o nosso namoro foi muito intenso, parecia que ia durar pela vida toda, como a gente se engana né?
Todos os nossos amigos chamavam a gente de casal perfeito (pura ilusão). Pois bem, foi ai que meu pai se juntou com uma outra mulher (já te contei essa história em um de meus e-mail sofridos) e nós resolvemos ir morar juntos, foi uma decisão assim.... aos atropelos, acho que ele teve medo de me deixar morando sozinha, na verdade insegurança dele, eu como sempre iludida, adorei a idéia, mas sempre fiquei pensando se era o certo. Na verdade, nunca fizemos o certo, foi tudo errado desde o começo, acho que foi por isso que não deu certo.
A nossa história foi muito bonita do começo ao final, mas o duro é que ele era muito encanado com opiniões dos outros, em que os outros iriam achar se.... sabe, tipo que se importa mais com o que os outros pensam do que, o que seu coração senti.
Eu confesso ter errado muito durante a nossa relação, vc me conhece, sou uma leonina pura, adoro confetes, aplausos e muita algazarra. As vezes, chego a pensar que não conseguirei ter uma relação eterna, mas lembro dos meus relacionamentos e no quanto eu sou maleavél quando amo e sou amada, a única coisa que preciso e de atenção, apenas isso.
E foi isso mesmo que ele deixou falta.
Lembra de uma vez que brigamos por que vc começou a namorar, nossa isso foi na época de colégio, lembro que até a professora tirou sarro do meu cíumes por vc.
Mas esse é meu jeito egoista de ser, gosto da atenção voltada apenas pra mim.
Sofri muito com o final da minha relação com ele, passei dias e dias em um choro que parecia não ter fim, não conseguia nem escutar o nome dele sem começar a chorar, tudo me fazia lembrar ele, todas as músicas, todas as brincadeiras, até meu jeito de falar, o jeito que eu chamava ele.
Olhava as pessoas na rua namorando e sentia uma dor imensa no peito, tinha vontade de ir até eles pra bater até descontar toda a minha raiva. Mas, no fundo não era raiva, era inveja. Inveja do amor que deixar passar, sinto que podia ter feito algo para que isso não acontecesse, mas fui fraca, deixei me levar por conversinhas que antes estava tão acostuma a lhe dar.
Me sinti fraca, desamparada, tinha vontade de me jogar da janela do meu apartamento, foi a sensação mais horrivel que pude ter em toda a minha vida, foi o mesmo que se tivessem arrancado um pedaço de mim no qual eu ainda precisava muito. Não tinha mais vontade de sair de casa, nem de visitar os amigos, ou mesmo conversar com alguém, queria apenas a presença dele.
Sei que fui boba, mas por diversas vezes, fui atráz dele, pedi para que reconsiderasse, eu estava arrependida das bobeiras que fiz, e ainda estou.
Mas nada adiantou, só recebi ofensas e humilhações dele, diversas vezes ele jogou na minha cara o que ele acha que eu fiz, querendo que eu confessasse algo que não cometi. Deixei de ser a toda fortona e por diversas vezes me esqueci quem eu era, esqueci da minha força, do meu orgulho e deixei que ele acabasse com meus sentimentos, todas as palavras que ele me falava entrava dentro de mim como uma faca afiada que cortava os meus sentimentos e pedaços e que se multiplicavam deixando meu amor ainda maior. Mas, será? Será que isso é capaz?
Será que o amor pode ser maior que orgulho próprio?
Nunca ninguém vai saber essa resposta ao certo, eu apenas confirma que eu sim, me humilhei por uma pessoa que talvez possa nunca ter me amada de verdade, essa é a única incerteza que tenho agora.
Já passei por bons bucados na minha vida, alías ela gosta de me pregar peças, sempre foi assim, sempre passei por apuros. Lembro de um e-mail que vc me mandou certa vez dizendo que eu era um "pokemóm", (pequena por fora e grande por dentro) vc se referia a minha força de sempre passar pelos problemas e mesmo assim continuar sorrindo.
Sinto tanto a sua falta, falta dos seus conselhos e do jeito que vc brigava comigo quando estava chateada com algo. Sempre me dizendo palavras de conforto e segurança.
Sempre o amigo prestativo de sempre. Mas, mesmo assim .... longe, sei que tenho vc perto de mim, sempre posso lhe escrever que em breve terei um retorno de um e-mail carinhoso que sempre comçeça com? " oi coisinha difícil de enteder"
Você sabe que por mais que eu converse com outras pessoas e goste de falar e falar e falar, vc é o único que me entende, afinal a maior parte da minha vida vc passou ao meu lado, e sabe muito bem quais foram os problemas que enfrentei.
Sabe que esses dias, eu deitada na grama da praça do condomínio onde moro, debaixo de um coqueiro vendo as nuvens e lembrei de quando eramos garotos e ficavámos horas olhando pro céu imaginado os desenhos que as nuvens formava, vc tinha uma imáginação bem fértil.
Fiquei ali por horas, imaginando com será a minha vida de agora em diante, como irei erguer a minha cabeça novamente e continuar esta caminhada sabendo que mais pra frente irei tropeçar dinovo. Queria adormecer e não acordar mais.
Seria egoismo meu tentar deixar meus problemas para tráz, acreditando que nesta ou em outra vida eu terei que resolve-los, e não adianta nada fugir do meu destino, ele simplesmente já está traçado.
Espero em breve poder reviver os velhos tempos onde podia te abraçar ao final de uma conversa.
Saudades sua eterna amiga.
quinta-feira, 24 de abril de 2008
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